Era uma parceria de sucesso. Eu e minha cachorrinha, a Xuxa, tínhamos um contrato que tornava os nossos dias muito mais bonitos. Ela me ensinou que os passeios matinais eram ótimos para acordar as ideias e que os noturnos eram perfeitos para aliviar o estresse de um dia cheio. Sabia impor limites claros com seus dentinhos afiados, mas mostrava muito amor com seu rabinho balançante. Eu a ensinei que não era necessário latir (nem morder) quando tivesse medo, porque eu estava atenta e pronta a defendê-la. E assim me tornei o seu porto seguro.
Foram quase quatro anos juntas. Então, uma fatalidade — e ela se foi. Ainda que eu acredite na eternidade para além da matéria, não tenho mais a Xuxa na minha rotina. Ficam as memórias, o amor, os ensinamentos. Mas, em alguns momentos, o que eu queria mesmo era a presença dela deitadinha nos meus pés, esquentando as minhas costas ou trazendo o macaquinho rosa para eu jogar até ela cansar.
Esta que aqui escreve é uma pessoa humana, imperfeita e que sente (às vezes até demais) os balanços da vida. Minha rotina de entregas permaneceu quase intacta. Afinal, o mundo continua a girar e os problemas seguem exigindo solução. Em certa medida, acho até importante seguir ativa e produtiva.
Só que encontrar a ausência ao chegar em casa tem me demandado lidar com um turbilhão de emoções que ainda estou elaborando — bem no gerúndio e sem previsão de conclusão. Precisei rever o planejamento de 2026. Queria explorar minha vocação para a escrita nas horas vagas. Entendi que respeitar meu tempo era mais importante.
Hoje, dois meses após sua partida, em memória daquela que me deu tanto amor e, como ela me ensinou, respeitando os meus limites, volto a produzir conteúdos. Me permito mostrar o potencial de uma escrita que sente, faz sentir e entrega valor a partir disso. Porque é assim que escolho estar no mundo: escrevendo a partir do que é verdadeiro.



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